segunda-feira, 29 de agosto de 2016

IEMANJÁ

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IEMANJÁ

ABUSO

Orixalá sofre frequentemente abusos de sua nora Iansã e de sua própria mulher IEMANJÁ, que o enganou com um orixá de idade superior, Orunmilá , e teve uma filha Oxum. Esta filha de criação se tornou a favorita e a protegida do pai dos orixás, cozinhando e lavando para ele.



AMOR E ÓDIO

Xangô seduz Oxum, raptando-a do palácio de seu pai.
Outras lendas dizem que Xangô tomo-a de Ogum, mas que eles mantiveram uma relação esporádica como amantes.
Iansã foi mulher de Ogum, mas foi embora com Xangô .
Oxum seduziu Iansã, mas logo abandonou-a e temos finalmente a versão de uma relação entre Ogum e Odé, que apesar disto continuaram suas vidas solitárias na floresta.
IEMANJÁ casou com Orixalá, mas o traiu com Orunmilá .



BOA VIAJEM

Oxaguian veio ao Brasil viajando, montado num tronco de Iroco. No meio das águas do mar , encontrou IEMANJÁ, e durante a viagem nasceu um filho: Ogunjá.




BROTOU OS MARES

IEMANJÁ estava perdida em seus pensamentos quando viu que, ao longe, alguém se aproximava. Firmou a vista e identificou-o: era Bará, seu filho, que retornara depois de tanto tempo ausente. Já perto de seu mãe, Bará saudou-a e comentou:
- Mãe, andei pelo mundo, mas não encontrei beleza igual à sua. Não conheci ninguém que se comparasse a você!
- O que está dizendo, filho? Eu não entendo!
- O que quero dizer é que você é a única mulher que me encanta e que voltei para lhe possuir, pois é a única coisa que me falta fazer neste mundo!
E sem ouvir a resposta de sua mãe, Bará tomou-lhe à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, pois IEMANJÁ não poderia admitir jamais aquilo que estava acontecendo.
Bravamente, resistiu às investidas do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Bará “caiu no mundo”, sumindo no horizonte.
Caída ao chão, IEMANJÁ entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao Criador, Olorun.
E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo, dando origem aos mares.
Bará, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo juntar-se aos outros, na corte.


CABELEIRA

Diz uma das lendas, que Oxum tinha cabelo longo até que IEMANJÁ roubou-os enquanto Oxum estava ocupada com suas tinta de índigo.
Oxum consultou seus 16 búzios e ficou sabendo que a ladra era IEMANJÁ, mas não teve condições de recuperá-los, então untou óleo, pano e tintura de índigo ao pouco cabelo que lhe restava e fez um coque, que é exatamente o arranjo de cabelo que até hoje suas sacerdotisas usam.


CONFLITO

Foram juntas ao mercado Oiá e Oxum, esposas de Xangô, e IEMANJÁ, esposa de Ogum.
Bará entrou no mercado conduzindo uma cabra. Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.
Aproximou-se de IEMANJÁ, Oia e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orunmila.
Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios.
Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido. IEMANJÁ, OIÁ e OXUM concordaram e Bará partiu.
A cabra foi vendida por vinte búzios.
IEMANJÁ, Oiá e Oxum puseram os dez búzios do Bará a parte, e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam.
IEMANJÁ contou os búzios, haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais.
Da mesma forma Oiá e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.
IEMANJÁ disse: é costume que os mais velhos fiquem com a maior porção, portanto, eu pegarei um búzio a mais.
Oxum rejeitou a proposta de IEMANJÁ, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.
Oiá intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.
As três não conseguiam resolver a discussão.
Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios de maneira igual entre elas.
Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais e sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha, mas Oiá e Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho.
Elas se recusaram a dar a IEMANJÁ a maior parte.
Pediram a outra pessoa que dividisse de maneira igual os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual, propôs que a parte maior fosse dado à mais nova.
Ainda um outro homem foi solicitado a fazer a divisão, ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova.
O búzio devia ser dado a Oiá, mas IEMANJÁ e Oxum rejeitaram seu conselho, elas se recusaram a dar o búzio extra a Oiá, não havia meio de resolver a divisão.
BARÁ voltou ao mercado para ver como estava a discussão, ele disse: “onde está minha parte?”.
Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo igual.
Bará deu três a IEMANJÁ, três a Oiá e três a Oxum, o décimo búzio ele segurou, colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.
Bará disse que o búzio extra era para os antepassados,  conforme o costume que se seguia no Orun.
Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados.
Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no céu, assim também na terra deve ser.


COROAÇÃO

Xangô ávido por tomar a coroa de Ogum , deu a este um sonífero no café e correu ao lugar onde a cerimônia ia ter lugar.
Ali IEMANJÁ mandou apagar a luz para começar a cerimônia. Xangô aproveitando a escuridão, cobriu-se com uma pele de ovelha e sentou-se no trono.
A pele de ovelha servia para parecer-se com Ogum na hora em que a mãe o coroasse, já que Ogum por ser primogênito é tido como homem pré-histórico coberto por pêlos.
Depois que IEMANJÁ colocou a coroa sobre sua cabeça e as luzes voltaram, todo mundo viu que era Xangô e não Ogum, mas já era tarde demais para voltar atrás.


DESOBEDIÊNCIA

Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de IEMANJÁ.
Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora.
Os outros dois filhos se conduziam melhor.
Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casas estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça.
IEMANJÁ, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô.
Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossaim , aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta.
Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossaim para obrigá-lo a permanecer em sua companhia.
IEMANJÁ exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador. Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore, separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar.
Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores. Ele havia encontrado Ossaim e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como amúnimúyè, o que provocou em Odé uma amnésia.
Ele não sabia mais quem era nem onde morava.
Ficou, então, vivendo na mata com Ossaim, como predissera o babalaô.
Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta.
Ele o trouxe, mas IEMANJÁ não quis receber o filho desobediente. Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa.
Odé voltou para a companhia de Ossaim, e IEMANJÁ desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se num rio, chamado ògùn, não confundir com ògún, o orixá.


ENCONTROS E DESENCONTROS

Uma menina por ser muito maltratada pela madrasta resolveu ir mundo a fora, à busca dos encantados.
Começou a caminhada, e, lá adiante encontrou ACARAJÉ e pediu que lhe ensinasse a estrada. ACARAJÉ disse que se ela ajudasse a preparar-se, lhe ensinaria o caminho. Assim foi.
Andou, e lá adiante encontrou umas PEDRAS com forma de gente, que pediram que ela as colocasse melhor, em troca indicariam o caminho a seguir até os encantados. Com muito esforço ela conseguiu e as PEDRAS lhe ensinaram o caminho a seguir.
Andou e adiante encontrou ADJINACU que lhe pediu para ajudá-lo e a menina, prestou-se de boa vontade. ADJINACU, mostrou-lhe o caminho.
Muito adiante encontrou uma ONÇA parida, a quem pediu que lhe ensinasse o caminho e a ONÇA lhe perguntando se não tinha medo de ser comida, respondeu que a comesse logo para acabar a sua vida e o seu sofrimento. A resposta foi a indicação do caminho.
Adiante encontrou um MENINO que batia feijão. Pediu a indicação a que ele disse que faria se ela o ajudasse. Ela ajudou e o MENINO prontamente indicou o caminho.
Seguiu e depois de andar muito chegou a um lugar em que um CACHORRO latiu: perguntaram  -quem está aí? Disseram-lhe - entre. Ela passou e encontrou IEMANJÁ com seus cabelos cheios de alfinetes, a qual pediu a menina que a catasse. O que ela fez, ficando com os dedos ensangüentados e sem dizer uma só palavra, continuava catando, sem se queixar, ia enxugando o sangue no corpo.
Então IEMANJÁ escolheu OITO cabacinhas e deu-as a menina, dizendo que voltasse para casa. No caminho daí a OITOCENTOS metros quebrasse DUAS cabacinhas, no meio do caminho quebrasse outras DUAS,e em casa quebrasse o que restasse.
Assim fez. Na primeira quebrada, logo saíram um cavalo todo arreado e muitos escravos,que a conduziram na cabeça.
No meio do caminho, quebrou mais duas, e saíram muitos animais, rebanhos com pessoas para conduzi-los.
Na casa, ao quebrar saiu tanta riqueza que o dinheiro não cabia na casa.
A madrasta disse a filha que a enteada tinha ido onde ela não sabia, estimulando a filha descobrisse o caminho. Indagou. Descobriu e seguiu o mesmo caminho da meia irmã.
Encontrou ACARAJÉ, que perguntou a onde ela ía. Teve como resposta: - não te interessa.
Após encontrou as PEDRAS, que fizeram a mesma pergunta anterior. Ela respondeu que não estava para machucar as mãos.
ADJINACU que lhe perguntara a onde ia, ela respondeu que não era da sua conta. Mas ADJINACU disse-lhe: - aqui esta o caminho,vai,vai...
A ONÇA e o MENINO que batia feijão, ela não quis ajudar e respondeu que não era da conta deles aonde ela ia.
Finalmente chegou onde estava IEMANJÁ. Como esta convidasse a catá-la, respondeu que não estava para ferir suas mãos.
IEMANJÁ, deu-lhe então TRÊS cabaças.
Quando quebrou a primeira saiu de dentro uma COBRA que se pôs a picar a torto e a direito, deixando todos aleijados. A menina só pode escapar correndo muito.
Perto da casa quebrou a segunda e de dentro saíram animais ferozes que a perseguiram até sua casa.
Em casa quebrou a terceira, que saiu uma onça que comeu toda a sua gente.

ENFEITIÇADO

                                
Odé,  em uma de suas caçadas, teria sido enfeitiçado pelo seu irmão Ossaim, apesar dos avisos de sua mãe IEMANJÁ, para que tivesse cuidado.
Odé então afasta-se da família até que o encanto seja quebrado, quando voltar, encontra sua mãe IEMANJÁ ainda irritada pela atitude do filho em não tê-la ouvido.
Odé volta a floresta sob a influência de Ossaim, o que faz com que Ogun se rebele contra a própria mãe.
Odé, aprendeu todos os segredos da mata com seu irmão Ossaim e é ele quem defende o acesso às plantas, dificultando a entrada no mato daqueles que não tem o preparo devido.

FUGA

Xapanã sabendo-se leproso e que, por isto causava nojo e medo a todos que dele se aproximavam, procurava sempre se esconder, dando muito trabalho a IEMANJÁ para encontra-lo.
IEMANJÁ resolveu prender nas vestes de Xapanã, diversos chaurôs, que facilitava a sua localização.
Por isto que quando se toca adejá, se por ventura estejam criança ocupada e dançando fingem, ou melhor, simulam uma fuga.



MÃE DE ORIXÁS

IEMANJÁ era a filha de Olokum, a deusa do mar. Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin, com o qual teve dez filhos. Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos se tornaram orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de IEMANJÁ tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, IEMANJÁ fugiu na direção do entardecer da terra, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.
Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki. IEMANJÁ continuava muito bonita. Okere desejou-a e propôs-lhe casamento.
IEMANJÁ aceitou, mas, impondo uma condição, disse-lhe: Jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios.
Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso voltou para casa bêbado e titubeante. Ele não sabia mais o que fazia.
Ele não sabia mais o que dizia.
Tropeçando em IEMANJÁ, esta chamou-o de bêbado e imprestável.
Okere, vexado, gritou: Você, com seus seios compridos e balançantes! Você, com seus seios grandes e trêmulos!
IEMANJÁ, ofendida, fugiu em disparada.
Antes do seu primeiro casamento, IEMANJÁ recebera de sua mãe, Olokum, uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta: Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã.
Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão. Em sua fuga, IEMANJÁ tropeçou e caiu.
A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio. As águas tumultuadas deste rio levaram IEMANJÁ em direção ao oceano, residência de sua mãe Olokum.
Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher. Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina, chamada, ainda hoje, Okere, e colocou-se no seu caminho. IEMANJÁ quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita.
IEMANJÁ quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.
IEMANJÁ, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos.
Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder.
Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos, um prato de amalá, preparado com farinha de inhame, e um prato de obeguiri, feito com feijão e cebola. E declarou que, no dia seguinte, IEMANJÁ encontraria por onde passar. Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras da chuva. Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.
Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia. Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio. Ouviu-se então: Kakara rá rá rá Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere. Ela abriu-se em duas e IEMANJÁ foi-se para o mar de sua mãe Olokum. Aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra. Seus filhos chamam-na e saúdam-na: Odo Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais. IEMANJÁ, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérola.

MENOS FAVORECIDA

Para IEMANJÁ, Olodumare destinou os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos.
IEMANJÁ trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava.
Durante muito tempo IEMANJÁ Já reclamou dessa condição e tanto falou, nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu.
O ori (cabeça) de Oxalá não suportou os reclamos de IEMANJÁ.
Oxalá ficou enfermo, IEMANJÁ deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias, utilizando-se de ori (banha vegetal), de omi-tutu (água fresca), de obi (fruta conhecida como nóz-de-cola), eyelé-funfun (pombos brancos) e esò (frutas) deliciosas e doces, curou Oxalá.
Oxalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a IEMANJÁ o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então IEMANJÁ recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais ritos à cabeça.


MUDANÇA RADICAL

Euá era filha de Obatalá e vivia com o pai em seu palácio. Era uma jovem linda, inteligente e casta.
Euá nunca havia demonstrado interesse por homem algum.
Um dia, chegou ao reino um jovem de nome Boromu.
Dias depois todos já cochichavam que Euá estava enamorada do forasteiro.
Obatalá riu-se da história, pois confiava em sua filha.
Obatalá garantiu que ela ainda era uma flor nova e não queria experimentar desse encanto.
Passado algum tempo, Euá mudou.
Tornou-se Euá triste, distante, distraída.
Obatalá fez tudo para fazer a filha novamente feliz e enviou a filha à terra dos homens.
Ele não sabia que Euá carregava um filho em seu ventre.
Uma noite, Euá sentiu as dores do parto e fugiu do palácio.
O rei foi informado do sumiço de Euá e logo mobilizou todo o reino para encontrar sua filha.
Boromu soube da fuga e partiu para procurá-la.
Acabou por encontrar Euá desfalecida no chão de terra, coberta apenas por uma saia bordada com búzios.
Euá despertou e contou-lhe o ocorrido.
Fugira com vergonha de apresentar-se ao rei.
Euá sentiu então a falta do rebento e perguntou por ele a Boromu.
Boromu, querendo que Euá retornasse ao palácio, escondera o recém-nascido na floresta. Mas quando o procurou já não mais o encontrou.
Perto do lugar onde deixou o filho, vivia IEMANJÁ.
E IEMANJÁ escutou o pranto do bebê, o acolheu e prometeu criá-lo como seu próprio filho.
Euá nunca mais encontrou seu filho. Tempos depois Euá foi ao palácio pedir perdão ao pai, mas o rei ainda estava irado e a expulsou de casa.
Naquele dia Euá partiu envergonhada.
Cobriu seu rosto com a mesma saia bordada de búzios e foi viver no cemitério, longe de todos os seres vivos.
E nunca mais viu seu filho, ele foi criado por IEMANJÁ.


NASCIMENTO

No princípio do tempo Obatalá com suas vestes de céu e Oduduá, a mãe-terra uniram-se.
Deste amor nasceu Aganjú: forte com sua carcaça de pedra e IEMANJA em suas vestes de gota-de-água.
Um milênio durou este amor.
E dele nasceu Iorugã. Quando IEMANJA estava dormindo Iorugã, ardendo de desejo, correu para ela.
IEMANJA desesperada, corre e cai. E do seu corpo neste momento nasceu os demais orixás.


OFERENDAS

Em épocas remotas os Orixás passaram fome.
Às vezes, por longos períodos, eles não recebiam bastante comida de seus filhos que viviam na Terra.
Os Orixás cada vez mais se indispunham uns com os outros e lutavam entre si guerras assombrosas.
Os descendentes dos Orixás não pensavam mais neles e os Orixás se perguntavam o que poderiam fazer.
Como ser novamente alimentados pelos homens?
Os homens não faziam mais oferendas e os Orixás tinham fome.
Sem a proteção dos Orixás, a desgraça tinha se abatido sobre a Terra e os homens viviam doentes, pobres, infelizes.
Um dia Bará pegou a estrada e foi em busca de solução.
Bará foi até IEMANJÁ em busca de algo que pudesse recuperar a boa vontade dos homens.
IEMANJÁ lhe disse: Nada conseguirás.
Xapanã já tentou afligir os homens com doenças, mas eles não vieram lhe oferecer sacrifícios.
IEMANJÁ disse: Bará matará todos os homens, mas eles não lhe darão o que comer.
Xangô já lançou muitos raios e já matou muitos homens, mas eles nem se preocupam com ele. Então é melhor que procures solução em outra direção. Os homens não tem medo de morrer. Em vez de ameaçá-los com a morte, mostra a eles alguma coisa que seja tão boa que eles sintam vontade de tê-la.
E que, para tanto, desejem continuar vivos.
Bará retornou o seu caminho e foi procurar Orungã.
Orungã lhe disse: Eu sei por que vieste. Os dezesseis Orixás tem fome.
É preciso dar aos homens alguma coisa de que eles gostem, alguma coisa que os satisfaça.
Eu conheço algo que pode fazer isso.
É uma grande coisa que é feita com dezesseis caroços de dendê. Arranja os cocos da palmeira e entenda seu significado. Assim poderás conquistar os homens.
Bará foi ao local onde havia palmeiras e conseguiu ganhar dos macacos dezesseis cocos.
Bará pensou e pensou, mas não atinava no que fazer com eles.
Os macacos então lhe disseram: Bará, não sabes o que fazer com os dezesseis cocos de palmeira?
Vai andando pelo mundo e em cada lugar pergunta o que significam esses cocos de palmeira.
Deves ir a dezesseis lugares para saber o que significam esses cocos de palmeira. Em cada um desses lugares recolheras dezesseis ODÚS. Recolherás dezesseis histórias, dezesseis oráculos. Cada história tem a sua sabedoria, conselhos que podem ajudar os homens. Vai juntando os ODÚS e ao final de um ano terás aprendido o suficiente.
Aprenderás dezesseis vezes dezesseis ODÚS. Então volta para onde moram os Orixás.
Ensina aos homens o que terás aprendido e os homens irão cuidar de Bará.
Bará fez o que lhe foi dito e retornou ao Orun, o Céu dos Orixás .
Bará mostrou aos deuses os ODÚS que havia aprendido e os Orixás disseram: Isso é muito bom.
Os Orixás, então, ensinaram o novo saber aos seus descendentes, os homens.
Os homens então puderam saber todos os dias os desígnios dos Orixás e os acontecimentos do porvir. Quando jogavam os dezesseis cocos de dendê e interpretavam o ODÚ que eles indicavam, sabiam da grande quantidade de mal que havia no futuro. Eles aprenderam a fazer sacrifícios aos Orixás para afastar os males que os ameaçavam.
Eles recomeçavam a sacrificar animais e a cozinhar suas carnes para os deuses. Os Orixás estavam satisfeitos e felizes.
Foi assim que Bará trouxe aos homens o Ifá.



PODER DO BRINQUEDO

Os Ibejis, orixás gêmeos, viviam para se divertir, eram filhos de Oxum e Xangô.
Viviam tocando uns pequenos tambores mágicos que ganharam de sua mãe adotiva, IEMANJÁ.
Nesta época Iku, a morte, colocou armadilhas em todos os caminhos e começou a comer todos os humanos que caiam em suas arapucas.
Homens, mulheres, crianças ou velhos, Iku devorava todos. Iku pegava os seres humanos entes do seu tempo aqui no Aye. O terror se alastrou pelo mundo.
Sacerdotes, bruxos, adivinhos, curandeiros se reuniram, mas foram vencidos também por Iku, e os humanos continuavam a morrer antes do tempo.
Os Ibejis, então, armaram um plano para deter Iku.
Pegaram uma trilha mortal onde Iku preparara uma armadilha, um ia na frente e o outro seguia atrás escondido pelo mato a pouca distância.
O que seguia pela trilha ia tocando seu pequeno tambor e tocava com tal gosto e maestria que a morte ficou maravilhada, e não quis que ele morresse e o avisou da armadilha.
Iku se pôs a dançar inebriadamente, enfeitiçada pelo som mágico do tambor.
Quando um irmão cansou de tocar, sem que a morte percebesse o outro veio tocar em seu lugar. E assim foram se revezando, sem Iku perceber e ela não parava de dançar e a musica jamais cessava.
Iku já estava esgotada e pediu para parar, e eles continuavam tocando para a dança tétrica. Iku implorava uma pausa para descanso. Então os Ibejis propuseram um pacto.
A musica cessaria mas Iku teria que jurar que tiraria todas as armadilhas.
Iku não tinha escolha, rendeu-se; os gêmeos venceram.
Foi assim que ibejis salvaram os homens e ganharam fama de muito poderosos, por que nenhum outro orixá conseguiu ganhar aquela peleja contra a morte.
Os Ibejis são poderosos, mas os que eles gostam mesmo é de brincar.



RAPTO

Da união de Oxalá[céu], com oduduá [terra], nascem Aganjú e Iemanjá.
E da união dos dois irmãos nasceu Orugam[ar].
Orugam aproveitando a ausência paterna, raptou e violentou sua mãe IEMANJÁ, que aflita, desprende-se dos braços do filho, e foge alucinada.



REVANCHE

Toda vez que Obá passava a mão no rosto, ou se mirava nas águas de seu rio, a odô obá vê o aleijão provocado pela velharia de Oxum.
Desejando vingar-se de Oxum da forma que mais a atingisse. Logunedé era um menino pequeno muito travesso, que morava com sua avó IEMANJÁ, ele era filho de Oxum com Odé, mas um dia, o levado garoto escapou da vigilância de IEMANJÁ que era sua mãe adotiva, e foi passear pelo mundo, andando e andando, avistou uma senhora toda vestida de roupa de montaria, em cima de uma pedra, dentro do rio barulhento, que lhe perguntou o nome.
Quando ele disse, Obá perdendo o juízo, arquitetou sua vingança. Seria a melhor vingança.
Mataria afogado o filho da Oxum. Obá o convidou para andar a cavalo marinho e chamou-o para cima do rochedo que ela se encontrava, estimulando ele a andar de cavalo marinho e barco dourado.
Quando o menino estava se aproximando do rochedo e dali para a água, repentinamente um furacão o lançou pelos ares, conduzindo-o até a presença da avó IEMANJA, Oiá explicou o por que salvara o menino, e pediu agô para sua mãe.-


SEGREDOS DA NOITE

Orunmilá que tinha os segredos da noite precisava ser detido com seus feitiços desenfreados. Era um dos homens mais bonitos e encantadores, tinha todas as mulheres, mas não queria nenhuma e não amava nenhuma.
Oxalá queria tirar a maldade e os segredos de Orunmila, mas só havia um jeito de conseguir tal feito pedindo a mulher mais bonita que o encantasse e tirasse todos os segredos dele.
Então o povo orixá duvidou e Oxalá chamou IEMANJA, que não tinha filhos e família e nem um amor para seduzi-lo e conhecer os seus segredos.
Então Oxalá fez com ela um trato no qual ela só teria essas intenções e que depois voltaria para reinar ao lado dele novamente.
IEMANJÁ foi e com o tempo eles se apaixonaram.
IEMANJÁ e Orunmilá já não conseguiam viver longe um do outro... ela conseguiu tirar todos os segredos e feitiços dele e eles tiveram muitos filhos ORIXÁS...


TEIMOSO

Conta-se que IEMANJÁ fora alertada por um babalaô para não deixar Odé ir para o mato, pois poderia se perder e ter conseqüências desastrosas.
IEMANJÁ alertou Odé; teimoso não deu ouvidos.
Como avisara o babalaô , Odé se perdeu e foi recolhido por Ossaim, que se afeiçoou a Odé, vestindo-o de penas e deu-lhe arco e flecha e ensinou-lhe o manejo.
IEMANJÁ quando sentiu falta do filho, começou a procurar com a colaboração de Ogum.
Odé foi encontrado três anos após, por Ogum mas não queria retornar, pois apaixonara-se por Ossaim, e , quando voltou continuou a usar arco e flecha.


TRÊS IRMÃOS

Ogum, Odé e Bará eram irmãos e filhos de IEMANJÁ.
Ogum era calmo, tranqüilo, pacato e caçador, ele é quem provia a casa de alimentos, pois Bará gostava de sair no mundo e Odé era contemplativo e descansado. Num belo dia, Ogum voltando de uma caçada, vê sua casa cercada por guerreiros de outras terras.
Vendo sua casa em chamas e seus parentes gritando por socorro, tomou-se de uma ira incontrolável chamada SAIRÊ, e lutando sozinho derrotou todos os agressores, não deixando um só vivo.
Dai em diante, Ogum iniciou seu irmão Odé na caça e disse a sua mãe.
- Mãe, preciso ir, tenho de lutar, tenho de vencer, tenho de conquistar. Mas se em qualquer momento, qualquer um de vocês, estiver em perigo, pense em mim, que voltarei de qualquer lugar para defendê-los.
Assim partiu e tornou-se o maior guerreiro do mundo, vencia a todos os exércitos sem mesmo ter um exército, tornou-se assim a verdadeira força da vitória.


VERGONHA

Havia uma jovem e casta princesa chamada Euá; pura, graciosa, espiritual, silenciosa e trabalhadora.
Um dia apareceu no reino um jovem guerreiro que a seduziu e a engravidou.
Euá, escondeu a gravidez até de seu pai .
Desesperada e já sentindo dores do parto, sem ter em quem confiar, fugiu do palácio rumo á floresta onde deu a luz um filho homem.
Sozinha, sem ajuda, Euá desfaleceu após o nascimento do filho.
O menino foi recolhido por IEMANJÁ, a senhora das águas profundas, que o levou para seu reino dando-lhe o nome de XANGÔ [...].
Tamanha foi a dor de Euá, ao acordar sem ver o seu rebento, que foi se esconder no cemitério, mantendo o rosto coberto para que ninguém a reconhecesse.
EUÁ, a mãe do segredo.


VIAJEM PREMIADA

De volta de uma de suas viagens à África, Nanãmburuquê deu a luz a um menino, Obaluaê.
Verificando, a seguir que seu filho tinha adquirido a lepra, não quis saber dele e o abandonou.
IEMANJÁ irmã de Obaluaê apiedou-se do irmão e resolveu tomar conta dele.
Criou Obaluaê dando- lhe pipoca com mel. Cuidava suas feridas com dendê.

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